Começando do momento que ela acordou, esse é o primeiro natal de Anna, de seu ponto de vista.
“Anna, querida? Hora de acordar, docinho. É dia de Natal.”
Abri meus olhos e pisquei quando a luz
fraca me atingiu. Mamãe e papai estavam ambos lá como todos os dias,
sorrindo para mim, e ambos seguravam algo embrulhado em um reluzente
papel prateado. Foi quando eu lembrei: Natal!
Todos na minha família (e muitos dos convidados) tinham me contado sobre o Natal. Titia Rosalie me contou histórias sobre bolas brilhantes
e belas festas, vovô edward me contou a história do nascimento e do
bebê Jesus, titio me contou sobre o Papai Noel e as renas
voadoras que eram impossíveis de caçar, vovó bella me contou sobre os
Natais antes do papai conhecer a mamãe. Ninguém gostava de falar sobre o
Natal passado, especialmente mamãe e papai. Quando eu perguntei, vovó
bella só disse que foi uma época muito triste porque eles não estavam
juntos.
Coloquei uma imagem de titia e titio em sua mente, e ela engoliu, mas não como se estivesse bebendo.
“Sim,” ela disse. “Como titia e titio não estão conosco agora.”
Mamãe e papai não pareciam
muito tristes agora. Mamãe tinha colocado seu pacote brilhante de lado
para me levantar da cama e me abraçar. Coloquei minha mão em sua
bochecha quente e mandei uma imagem dos presentes para sua mente. Ela e
papai ambos riram, mas eu não sabia o que era engraçado.
“Tão impaciente! E por presentes também”, papai disse, olhando para mamãe.
“Não tenho dúvidas de quem ela puxou isso” mamãe disse. “Tudo bem, o seu primeiro.”
Papai sorriu para ela e gentilmente
colocou seu presente em minhas mãos. Eu sorri largamente para ele e
muito rapidamente rasguei o papel brilhante. Não despedacei o papel,
todavia, apenas destruí a fita adesiva que o prendia. Eu gostei muito do
papel dourado e prateado; eu não queria arruiná-lo.
No meio de todo o papel havia uma
pequena coisa azul de metal, com botõezinhos pequenininhos e longos fios
brancos saindo dele, como um rabo que se dividia em dois. No final de
cada fio havia uma pequena ponta.
“É um music player,” papai disse. Ele
pegou e colocou as pontinhas nos meus ouvidos, depois pressionou alguns
dos botõezinhos. Uma telinha se acendeu e algumas palavras se moveram
nela, mas eu estava ouvindo a música que saia das pontinhas.
“Fones de ouvido,” papai disse. “Se chamam fones de ouvido.”
Eu não o ouvi de verdade, mas sim comecei a cantar.
Era a canção que papai sempre cantava para mim, a que ele disse que
tinha escrito para mim, tocada no piano. Sorri muito feliz e fechei meus
olhos para ouvir melhor. Parecia que o piano estava bem ali no quarto
comigo, embora não coubesse. Pensei que eu poderia me perder na música e
esquecer onde eu estava. Mamãe riu enquanto eu cantarolava com a
música.
“Você não vai dizer obrigada?” ela me disse.
“Não faz sentido, Nessie, você sabe que ela esta feliz,” papai disse.
“Nada de errado em tornar boas maneiras um hábito,” mamãe disse a ele.
Parei de cantar e abri meus olhos por um segundo para olhar para o papai e pensar obrigada antes de começar novamente.
“De nada,” papai sorriu, “mas você não quer abrir o presente de sua mãe também?”
Tirei as pontinhas – fones de ouvido –
dos meus ouvidos e papai pegou o pequeno presente de mamãe, embrulhado
no mesmo reluzente papel dourado e prateado e com um laço brilhante em
cima. Levantei as mãos e o peguei das mãos de papai, deixando o pequeno
music player azul onde ele estava. Era no formato de uma caixa, e eu
rapidamente tirei a fita adesiva do papel, a qual mamãe colocou na mesa
próxima à minha pequena cama. Ela sabia que eu iria guardar o papel para
mais tarde. Eu gostava de coisas brilhantes. Vi que eu estava certa
sobre o presente: dentro havia uma pequena caixinha preta. Virei-a,
olhando o material macio que a cobria. Era o mesmo material do qual meu
vestido de festa vermelho de três semanas atrás era feito. Veludo.
“Dentro,” mamãe disse, sorrindo.
Encontrei
a linha onde a caixa abria e tirei a tampa. Ela ficou conectada de um
lado, como uma porta. Dobradiça, essa era a palavra. Eu continuava
aprendendo tantas palavras novas todos os dias; às vezes era difícil
pensar na que eu queria. Eu preferia usar imagens. Abri a caixa e senti
meus olhos arregalarem.
Dentro da caixa havia uma pequena
almofadinha feita de veludo, como a caixa, e na almofadinha estava um
lindo colar de ouro. Era exatamente da lindo. Papai sorriu quando eu disse isso; era
legal que eu não tinha que dizer tudo a ele. Ele sorriu ainda mais e
tirou o colar da caixa. A corrente era bem fina e de ouro também. Na
verdade o… pingente tinha a forma oval e imagens de folhas e vinhas em
volta das beiradas, cravadas. Tão lindo. Então eu vi que o pingente
tinha dobradiças também.
Papai pegou a caixa das minhas mãos para
que eu pudesse abrir o pingente. Era meio complicado porque era bem
pequenininho e era difícil encontrar algo no que segurar, mas eu tinha
dedinhos pequenos e unhas grandes, então eu consegui.
Reconheci a foto imediatamente. Era de
seis semanas atrás, quando titia e titio ainda estavam em
casa, e era uma foto de todos nós: titia e titio , titia e titio Em, vovó bella e vovô edward, mamãe Nessie, papai, Jacob e eu.
Seth havia tirado a foto porque não havia ninguém sobrando. Eu estava no
meio, com mamãe me segurando. Papai Jacob e vovo edward estavam um de cada lado, e
todos estavam ao meu redor. Titia Rosalie estava o mais longe de papai Jake
possível, mas todos estavam sorrindo para a câmera. Eu estava muito
pequena nesse dia, e meu cabelo estava apenas na altura dos ombros, mas
ainda parecia comigo.
A foto era realmente muito pequenininha,
mas eu podia ver os rostos de todo mundo certinho. Talvez o vovô edward
não conseguiria, porque ele era humano, e a mamãe disse que os
humanos não podem enxergar tão bem quanto ela e eu, mas todo mundo
restante poderia.
“Você pode mudar a foto sempre que você quiser,” mamãe disse. “Eu tenho muitas delas que fiz menores para você.”
Sorri. Do lado da foto, havia alguns
escritos estranhos em belas letras cinza-azuladas. Alcancei as bochechas
de mamãe sem desviar o olhar para colocar uma imagem em sua mente da
inscrição, e uma pergunta. Eu podia ler facilmente, eu gostava de ler,
mas não podia ler isso.
“Significa ‘eu te amo mais que minha
própria vida’,” mamãe disse. Sua voz ficou um pouco vacilante no final,
mas eu ainda estava olhando para o escrito engraçado. Aquilo não se
parecia em nada com nenhuma palavra que eu conhecia.
“Está em francês,” papai disse, e sua voz estava um pouco vacilante também. “Je t’aime plus que ma propre vie.”
As palavras eram estranhas, e a forma
como elas significavam nada e alguma coisa ao mesmo tempo era estranha e
maravilhosa. Soava bonito.
“Você quer colocar?” mamãe perguntou.
“Sim, por favor,” eu disse em voz alta.
Papai se aproximou para pegar o camafeu e
prendê-lo em volta do meu pescoço. Seus dedos eram muitos quentes, mas eu
estava acostumada. Papai Jacob,era quente como eu.
“Assim,” papai disse, e deu um passo para trás para olhar para mim. “Você está linda,” ele anunciou, e eu sorri feliz.
“Assim como o pai dela,” mamãe acrescentou, e eles sorriram um para o outro.
“Certo,” mamãe disse de repente, “É melhor eu te arrumar para irmos à casa do vovô.”
“Na verdade,” papai disse, “é melhor adiar a arrumação para depois que tivermos visto o restante da família.”
Franzi a testa. Por quê?
“Ah,” mamãe disse. Então ela sabia o porquê. Eu teria simplesmente que esperar para ver. “Tudo bem, então vamos.”
Em seguida estávamos correndo pelas
árvores. Eu adorava correr com mamãe ou papai Jacob. Eles eram
mais rápidos que eu, e eu podia olhar em volta sem me preocupar com onde
eu estava correndo. Havia tanto que eu ainda não tinha visto desse
enorme e empolgante mundo. É claro que eu sabia o caminho da Casa Grande
para a Pequena Cabana e eu já tinha visto tudo ali, mas às vezes se eu
tivesse sorte eu veria um esquilo ou um novo tipo de passarinho e eu
poderia mostrar para a vovó bella e ela me diria seu nome. Vovó bella
adorava olhar os pássaros.
Não vi nenhum pássaro hoje, mas não me importei porque hoje já era especial, e logo estávamos na Casa.
vovo edward estava sentado do lado de fora na
varanda esperando por mim. Quando ele me viu, um grande sorriso se
espalhou pelo seu rosto, como sempre acontecia.
“Anna!” ele gritou, e pulou da varanda
para vir me ver. “Feliz Natal!” ele sorriu, e então se lembrou de mamãe
e papai. “E feliz Natal para vocês também.”
“Feliz Natal, pai,” mamãe disse
sorrindo. Papai fez aquela coisa engraçada com seus olhos onde eles
fizeram todo o caminho num círculo.
Dei uma risada e levantei as mãos para vovô me pegar. Mamãe suspirou, mas mesmo assim me colocou nos braços dele para
que eu pudesse lhe contar sobre os presentes.
“Lindo,” ele disse quando viu o camafeu. “E você está usando! Que gracinha!”
Ele me moveu para um braço para que
pudesse tirar algo de seu bolso. Era um outro presente, mas este não
estava embrulhado em um papel brilhante. Ao contrário, estava em uma
bonita bolsa de tecido marrom com cordas formando um nó. Eu rapidamente
desamarrei as cordas e abri o embrulho.
“Está vendo, a Anna consegue desamarrar!” Papai Jake disse para mamãe. “Sua própria filha!”
“Muito engraçado, Jake,” mamãe nessie disse,
mas eu não estava ouvindo. Virei o saquinho de cabeça para baixo e uma
argola de fios entrelaçados caiu, torcidos juntos como quando titia
Rosalie trança meus cabelos, unidos para formar um círculo.
Usando sua mão livre, papai Jake pegou a argola e colocou no meu pulso. Estava um pouco grande, então escorregou facilmente.
“Como você cresce tão rápido, pensei que seria melhor fazê-lo grande,” ele disse.
Levantei meu pulso mais para perto dos
meus olhos para ver melhor. Eu não conseguia dizer quantos fios
diferentes tinha, mas havia muitos, todos com cores que eram um pouco
diferentes. Havia vermelhos e marrons, e eu podia ver a cor do meu
cabelo, e a cor do pelo de papai Jake, e a cor da pele de papai Jake que era a mesma da minha, e a cor dos
troncos das árvores, e a cor de sangue, e a cor dos olhos da mamãe, e a
cor dos meus olhos… eu não conseguia dizer o nome de todas. Pressionei
minha mão na bochecha quente de papai vovo para dizer a ele o quanto eu tinha
adorado.
“Ah, pare, Ann, você está me deixando
com vergonha,” vovo edward disse naquela voz engraçada que torna mentir uma
coisa okl de se fazer.
Papai não pareceu tão feliz assim.
“Contanto que isso não tenha o mesmo significado de um anel, papai Jacob,” ele
disse em uma voz quase de rosnado.
“É claro que não!” papai Jake disse. “Ugh, já passamos por isso, isso seria doentio!”
Mamãe suspirou novamente. “Lembrete: alguns de nós não têm a menor ideia do que está acontecendo…”
Toquei a bochecha de papai novamente, dessa vez com uma pergunta.
“Hum, bem, geralmente os caras dariam
anéis como esse para as garotas quando eles as pedem… uh… em casamento.
Caras Quileute, quero dizer,” ele disse, olhando para mamãe Nessie. “De
qualquer forma, é por isso que eu fiz um bracelete, e não um anel. Achei
que você ia surtar,” ele disse para o papai.
“Mas o propósito dos anéis não seria que
eles demorassem um tempo muito longo para serem feitos que nenhum homem
faria um a menos que verdadeiramente se importasse com a sua amada?”
papai disse, ainda mais próximo de um rosnado agora.
“Tá, então o bracelete demorou mais, mas
ter algo o que fazer com as minhas mãos me mantém são. Você sabe quanto
tempo eu gastei naquele pingente de lobo que eu fiz para Nessie?”
“Jake,” mamãe disse calma. “Não
estrague isso. Você sabe que edward não quis ofender.” Ela soou
um pouco estranha, um pouco triste. “É linda, jake,” ela disse.
“Nessie?” papai disse, e sua voz não parecia com nada como um rosnado agora. “Você está bem?”
Me virei e olhei para mamãe, e ela
sorriu. Eu podia dizer que aquele não era um sorriso certo, um sorriso
feliz, mas que sim ela estava fingindo. “É claro que estou bem. Vamos
entrar? Tenho certeza que estão todos nos esperando.”
Papai ainda parecia preocupado, mas não
discutiu. Talvez ele quisesse conversar com mamãe a sós mais tarde. Eles
frequentemente tinham momentos em que parecia que eles iam dizer alguma
coisa, mas então eles olhavam para mim e balançavam suas cabeças. Era
um pouco irritante, na verdade. Papai sabia que eu sabia, mas ele jamais
mencionou isso.
papai Jake parecia como se não tivesse notado nada, mas ele podia estar
fingindo. “Claro, claro,” ele disse e todos entramos na casa.
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