sábado, 27 de julho de 2013

O hall estava bem cheio, ainda mais que de costume. O clã de Denali estava lá, Garrett, Zafrina e Senna, Benjamin e Tia, Maggie, Siobahn e Liam, Charlotte e Peter. Pensei se papai Jake poderia sequer lembrar seus nomes. Não importava na verdade, porque nenhum desses vampiros realmente conversava com papai Jacob, exceto a nossa família. Era bem engraçado, na verdade, porque eles falavam comigo quando eu estava sentada em seu colo e o ignoravam completamente.
O restante da minha família, exceto titia e titio é claro, estava esperando por nós no meio da sala.
“Bom dia, docinho, feliz Natal,” titia Rosalie sorriu. “Bom dia, Nessie,” ela disse, mas não disse nada a papai Jake. Eu dei uma risada.
“Feliz Natal, loira!” papai Jake disse animadamente. Algumas pessoas deram uma risadinha; titio Emmett foi um deles. Titia Rosalie lhe deu uma cotovelada.
Rapidamente toquei a bochecha de papai Jake e então pulei para baixo para correr e abraçar titia Rosalie. Ela se ajoelhou para ficar menor que eu.
“Você precisa de um banho,” ela disse em voz alta. “Por alguma razão inexplicável, você está com cheiro de cachorro molhado.”
papai riu. E eu também, e mamãe.
“Podemos pular os comentários maldosos?” mamãe disse. “O Natal deve ser uma época de boa-vontade e paz entre todos os homens e tudo mais.”
“Bem, então mulheres e cachorros não contam,” titia Rosalie retrucou.
“De toda forma, nós realmente temos que chegar logo à casa de Edward,” mamãe disse.
“Como se eu algum dia fosse deixar que chegássemos atrasados,” papai provocou.
Vovó bella suspirou. “Não os encoraje,” ela disse.
Vovô Edward riu calmamente. “Vamos aos presentes?” ele disse. Eu sorri largamente.
Kate riu de onde ela estava, Tanya, Carmen e Eleazar estavam juntos assistindo. “Não é estranho que, até onde eu percebo, você ganha coisas da sua família o tempo todo e nem se importa, mas se estiver embrulhado e for dado com cerimônia, é a coisa mais empolgante do mundo?”
Pisquei. Eu não tinha pensado nisso.
“Não estrague a animação pra ela, Kate,” Carmen disse em sua voz engraçada com um sotaque e seu ‘a’ se prolongou e soou parecendo mais de uma letra. “É Natal, afinal de contas.”
Garrett, o que deveria realmente ser companheiro de Kate, ficou olhando da janela. “Eu nunca entendi de verdade o Natal,” ele disse preguiçosamente. “É uma festividade porque uma criança nasceu. E uma criança humana.”
“Mm,” titia Rosalie disse. Ou murmurou, eu suponho. “Agora, o aniversário da Anna deveria ser um feriado nacional.”
Franzi a testa. “Mas aí eu só iria ganhar um!” eu disse.
Todos riram, mas eu não sabia o que era engraçado. Talvez aquilo fosse um pouco ganancioso.
“Bem certo também,” papai disse. Então eu não estava fazendo nada de errado.
 papai Jake limpou a garganta. “Vamos começar com isso?” ele disse. Pensei que ele provavelmente queria ficar livre de todos os vampiros que não eram como nós. Ele não gostava que eles matassem humanos.
Depois disso, foi um redemoinho de presentes. Titia Rosalie me deu um novo vestido de festa para usar hoje, que ela mesma fez. Era verde, como uma árvore de Natal ou folhas de cereja, ela disse. No pacote com o vestido estava um cardigã que era da cor de cereja. Titio Emmett me deu sapatos vermelhos para combinar com o vestido e o cardigã, mas pensei que titia Rosalie provavelmente os comprou por ele. Vovô Edward me deu uma pequena Bíblia para eu ler, para que eu pudesse descobrir a história do Natal por mim mesma. Estava coberta num material vermelho e era da mesma cor dos meus sapatos. Titio Emmett achou que aquilo era meio estranho.
“Você está dando uma Bíblia para a criança?” ele perguntou.
“Ao contrário de você, Emmett, ela gosta de ler,” vovô o relembrou.
Vovó Bella me deu um álbum de fotos. Metade já estava cheia de fotos da minha família, e metade estava vazia para que eu pudesse adicionar fotos mais tarde.
Em seguida, Tanya me deu uma pequena presilha do seu cabelo e Zafrina me mostrou muitas imagens de sua casa no inverno, as mais belas paisagens de inverno que ela tinha visto. Muitos dos outros convidados vieram me dar um abraço e desejar feliz Natal: o animado Benjamin e a quieta Tia, Maggie, a que era sempre tão firme, a grande Siobahn, todos os de Denali, de quem papai gostava, e a gentil Charlotte. papai começou a ficar inquieto atrás de mim novamente. Ele estava na porta, e eu sabia que ele queria sair.
“Uh, pessoal,” ele disse. “Nós, tipo, temos que chegar à casa do Charlie logo e a Anna nem está pronta ainda…”
Mamãe sorriu para papai. “Ok, te encontraremos no carro em cinco minutos ou menos,” ela prometeu.
papai sorriu largamente de volta, acenou para mim e saiu correndo pela porta.
“Posso vesti-la?” titia Rosalie imediatamente perguntou à mamãe.
Vovó Bella riu. “Ela não é uma boneca, sabia?” ela disse.
Mamãe estava rindo também. “Não tem por que me pedir. Se for o que Anna quer, por mim tudo bem,” ela disse.
“Anna?” titia Rose me perguntou, se ajoelhando novamente para olhar para mim. Mamãe suspirou. Ela não gostava do meu apelido pois meu nome é Anna Paula mais nao sei por que ela nao gosta .
Coloquei minha mão em sua bochecha para mostrá-la uma imagem de mim colocando meu novo vestido verde com a sua ajuda. Também mostrei para ela uma imagem do meu cabelo em duas tranças francesas. Eu estava querendo tranças hoje.
“É claro, amorzinho,” ela disse. “Então venha.”
Pulei em seus braços e ela me carregou para cima, pegando meu vestido e sapatos enquanto ia. Tínhamos apenas cinco minutos então tinhamos que ser muito rápidas. Rapidamente tiramos meu pijama e eu coloquei o vestido de seda verde e titia Rosálie fechou as centenas de botões nas costas. Ela pegou belas meias brancas de uma gaveta cheia das minhas roupas e escorregou-as nos meus pés, seguidas dos meus novos sapatos vermelhos.
Em seguida, coloquei o cardigã vermelho. Alguém já tinha colocado meu music player no meu bolso, provavelmente o papai. Eu queria levá-lo para mostrar para o vovô, então o papai me ouviu falar isso, eu imaginei.
“E nunca se esqueça dos acessórios!” titia Rosalie sorriu e em seguida se virou rapidamente para uma outra gaveta para encontrar um longo pedaço de seda vermelha que ela amarrou na minha cintura. Uma faixa, percebi. Como na canção: “garotas de vestidos brancos e faixas de cetim azul”. Essa era uma que mamãe cantava para mim. Papai dizia que ela tinha uma queda por musicais antigos. Ela dizia que simplesmente gostava de coisas antiquadas.
“Você vai ficar usando esse bracelete?” titia Rose perguntou. Ela não parecia gostar dele, mas eu sabia que era porque papai Jake tinha me dado. Era realmente muito engraçada a forma como eles não gostavam assim um do outro.
Quando eu mostrei a ela que definitivamente iria ficar usando o bracelete, mesmo se tivesse cheiro de cachorro, ela suspirou e me colocou em sua enorme cama para trançar meu cabelo. Sentei com minhas pernas cruzadas enquanto ela se ajoelhou atrás de mim. Fechei meus olhos enquanto sentia a grande escova passando pelos meus cabelos e desembaraçando todos os cachos, como se eu fosse um animalzinho fofo e ela estivesse acariciando meu pelo. Em seguida, ela puxou os cachos da minha testa e começou a separar as madeixas em pequeninas mechas na frente. Em seguida, ela começou a torcer o meu cabelo, escovando minha cabeça toda vez que adicionava mais cabelo à trança enquanto ela crescia nas costas da minha cabeça. Seus dedos se moviam muito rapidamente porque tínhamos muito pouco tempo, e eu podia imaginá-los voando para dentro e para fora por entre meus cachos acobertados: vermelho e branco, vermelho e branco. Senti quando a trança estava terminada e presa com um laço e a próxima começou. Ambas as tranças levaram somente um minuto; eu não sabia quanto tempo levaria para um humano fazê-las. Os laços, eu vi, eram do mesmo verde que o meu vestido.
“Obrigada, titia Rosalie!” eu disse, porque ela estava atrás de mim.
“De nada, querida,” ela disse enquanto se levantava. “E agora é melhor irmos nos encontrar com sua mamãe.”
“E o pai Jacob,” eu a lembrei em voz alta.
Pensei ouvir titio Emmett dar uma risada em algum lugar abaixo de nós, mas titia Rose apenas suspirou novamente e me pegou da cama. Voamos escada abaixo e para fora da porta; me virei para acenar para todos pela porta aberta antes de virarmos a esquina da casa e estarmos em frente à garagem.
“Cinco minutos e… quarenta e oito segundos,” papai Jake disse enquanto titia Rose me colocava no carro.
Ela o ignorou.
“Ei, você não retrucou!” ele disse feliz. “Marque o dia,” ele me disse. Dei uma risada.
“Simplesmente porque eu não me rebaixo a responder a todas as suas injúrias, não quer dizer que eu não seja capaz,” minha tia sibilou.
papai franziu a testa. “Mas você respondeu agora” ele apontou.
Mamãe riu. “Ei Jake, achei que você na verdade queria chegar à casa de Edward.”
“Claro, claro,” ele disse, ainda sorrindo. Ele andou ao redor do lado do carro para escorregar para dentro ao meu lado. Ele se ergueu para puxar meu sinto de segurança e prendê-lo com um click alto.
Mamãe e papai entraram nos bancos da frente e o papai ligou o carro. Titia Rosalie se afastou de um jeito meio com raiva, sem dar tchau. Não importava realmente, eu suponho, porque eu a veria mais tarde, mas eu não gostava quando as pessoas não diziam tchau, nem que fosse um aceno rápido. Eu ficava com medo de que eles não fossem voltar, como titia Alice e titio Jasper. Eu sempre dizia tchau à noite antes de ir para a Pequena Cabana, e sempre que eu ia a algum lugar sem qualquer pessoa da minha família, eu sempre encontrava todos e dizia tchau.
Não mencionei isso, contudo. Falar sobre a titia Alice deixava a mamãe triste, mais ainda desde que ela desapareceu foi quando tínhamos ido à casa do vovô da última vez.
“Você embrulhou a… coisa de pescaria do edward?” mamãe perguntou ao papai.
“É um sistema de pescaria por sonar, na verdade, e a resposta é não; Bella se ofereceu para fazer isso por nós.”
“Você podia só ter dito sim,” papai Jake disse.
“E privar minha querida esposa de mais uma chance de ouvir Bella dizer ‘você não tem que me agradecer, querida’?”
Mamãe deixou sair um pouquinho de ar em um som huff que significava que ela queria rir mas estava tentando segurar. “Você me conhece tão bem,” ela disse para o papai.
“Mm, estou começando a pensar que eu não me importo tanto de não ouvir seus pensamentos igual Edward,” papai disse, como se ele não estivesse realmente se concentrando, mas eu o vi olhar fixamente para mamãe.
Mamãe se virou para olhar para ele e em seguida rapidamente de virou de novo. Naquele segundo eu vi que ela estava espantada, e então ela estava encabulada, e então ela ficou entristecida. Muitos sentimentos começados com ‘e’. Senti a pele da minha testa franzir porque eu estava confusa. Papai estava dizendo alguma outra coisa para mamãe? Ele estava mentindo sobre não ouvir os pensamentos dela igual vovô edward? Mas mentir era uma coisa ruim, não era?
Papai não respondeu nenhuma das minhas perguntas e minhas sobrancelhas enrugaram juntas ainda mais. O mundo estava ficando mais e mais confuso.
“Ei, Ann, não faça caretas, porque se o vento mudar você nunca mais vai sorrir de novo,” papai me disse. Ele estava sorrindo, mas eu pensei que ele parecia um pouco confuso também. Então ele não entendia também.
Me ergui e ele se inclinou para que eu pudesse tocar seu rosto; eu não podia me mover para mais perto por causa do cinto de segurança. Como o vento muda? perguntei a ele. Não é sempre apenas vento? E por que eu não vou sorrir? Eu vou ficar triste ou meu rosto não vai se mexer?
Ele fez uma pequena careta quando fiz minhas perguntas e eu pensei que ou ele não sabia a resposta ou não queria ter que falar a coisa sobre o vento, em primeiro lugar.
“Uh, bem, o vento muda de direção. É isso que eu quis dizer. E seu rosto deve ficar congelado, mas não vai de verdade.”
Eu estava ainda mais confusa agora.
“É um ditado antigo,” papai disse. “Os pais contavam isso a seus filhos para fazê-los se comportarem bem e pararem de ficar fazendo caretas.”
Então aquela era uma outra mentira que não tinha problema. Havia muitas delas. papai Jacob e titia Rosalie as usavam mais. Coisas como “Eu vou arrancar a sua cabeça” não eram exatamente sem problema, mas todos sabiam que não eram verdade então não importava realmente. E também havia coisas como “nunca para de chover aqui”, que era um tipo especial de mentira chamado exagero. Às vezes as pessoas mentiam para tornar as coisas mais fáceis para elas mesmas. Como sempre que alguém perguntava para outra pessoa “Como vai?” todo mundo sempre dizia “Bem”. Isso era quase sempre uma mentira. E havia muitas formas diferentes de mentira. Você podia mentir omitindo coisas, ou mentir fazendo parecer que você quis dizer outra coisa, mesmo se você estivesse realmente falando a verdade. À vezes isso não tinha problema, às vezes tinha. Geralmente era tudo bem se você estivesse brincando, mas à vezes era ok se você não estava. As pessoas eram simplesmente muito muito confusas.
O carro virou à esquerda na rua do vovô Ed e eu parei de pensar sobre mentira. Havia alguns modelos de renas e Papai Noel do lado de fora das casas. Era um lembrete do Natal novamente e meus lábios rapidamente se curvaram em um sorriso e papai parou o carro de fora da casa do vovô.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Começando do momento que ela acordou, esse é o primeiro natal de Anna, de seu ponto de vista.
“Anna, querida? Hora de acordar, docinho. É dia de Natal.”
Abri meus olhos e pisquei quando a luz fraca me atingiu. Mamãe e papai estavam ambos lá como todos os dias, sorrindo para mim, e ambos seguravam algo embrulhado em um reluzente papel prateado. Foi quando eu lembrei: Natal!
Todos na minha família (e muitos dos convidados) tinham me contado sobre o Natal. Titia Rosalie me contou histórias sobre bolas brilhantes e belas festas, vovô edward me contou a história do nascimento e do bebê Jesus, titio me contou sobre o Papai Noel e as renas voadoras que eram impossíveis de caçar, vovó bella me contou sobre os Natais antes do papai conhecer a mamãe. Ninguém gostava de falar sobre o Natal passado, especialmente mamãe e papai. Quando eu perguntei, vovó bella só disse que foi uma época muito triste porque eles não estavam juntos.
Coloquei uma imagem de titia e titio em sua mente, e ela engoliu, mas não como se estivesse bebendo.
“Sim,” ela disse. “Como titia e titio não estão conosco agora.”
Mamãe e papai não pareciam muito tristes agora. Mamãe tinha colocado seu pacote brilhante de lado para me levantar da cama e me abraçar. Coloquei minha mão em sua bochecha quente e mandei uma imagem dos presentes para sua mente. Ela e papai ambos riram, mas eu não sabia o que era engraçado.
“Tão impaciente! E por presentes também”, papai disse, olhando para mamãe.
“Não tenho dúvidas de quem ela puxou isso” mamãe disse. “Tudo bem, o seu primeiro.”
Papai sorriu para ela e gentilmente colocou seu presente em minhas mãos. Eu sorri largamente para ele e muito rapidamente rasguei o papel brilhante. Não despedacei o papel, todavia, apenas destruí a fita adesiva que o prendia. Eu gostei muito do papel dourado e prateado; eu não queria arruiná-lo.
No meio de todo o papel havia uma pequena coisa azul de metal, com botõezinhos pequenininhos e longos fios brancos saindo dele, como um rabo que se dividia em dois. No final de cada fio havia uma pequena ponta.
“É um music player,” papai disse. Ele pegou e colocou as pontinhas nos meus ouvidos, depois pressionou alguns dos botõezinhos. Uma telinha se acendeu e algumas palavras se moveram nela, mas eu estava ouvindo a música que saia das pontinhas.
“Fones de ouvido,” papai disse. “Se chamam fones de ouvido.”
Eu não o ouvi de verdade, mas sim comecei a cantar. Era a canção que papai sempre cantava para mim, a que ele disse que tinha escrito para mim, tocada no piano. Sorri muito feliz e fechei meus olhos para ouvir melhor. Parecia que o piano estava bem ali no quarto comigo, embora não coubesse. Pensei que eu poderia me perder na música e esquecer onde eu estava. Mamãe riu enquanto eu cantarolava com a música.
“Você não vai dizer obrigada?” ela me disse.
“Não faz sentido, Nessie, você sabe que ela esta feliz,” papai disse.
“Nada de errado em tornar boas maneiras um hábito,” mamãe disse a ele.
Parei de cantar e abri meus olhos por um segundo para olhar para o papai e pensar obrigada antes de começar novamente.
“De nada,” papai sorriu, “mas você não quer abrir o presente de sua mãe também?”
Tirei as pontinhas – fones de ouvido – dos meus ouvidos e papai pegou o pequeno presente de mamãe, embrulhado no mesmo reluzente papel dourado e prateado e com um laço brilhante em cima. Levantei as mãos e o peguei das mãos de papai, deixando o pequeno music player azul onde ele estava. Era no formato de uma caixa, e eu rapidamente tirei a fita adesiva do papel, a qual mamãe colocou na mesa próxima à minha pequena cama. Ela sabia que eu iria guardar o papel para mais tarde. Eu gostava de coisas brilhantes. Vi que eu estava certa sobre o presente: dentro havia uma pequena caixinha preta. Virei-a, olhando o material macio que a cobria. Era o mesmo material do qual meu vestido de festa vermelho de três semanas atrás era feito. Veludo.
“Dentro,” mamãe disse, sorrindo.
Encontrei a linha onde a caixa abria e tirei a tampa. Ela ficou conectada de um lado, como uma porta. Dobradiça, essa era a palavra. Eu continuava aprendendo tantas palavras novas todos os dias; às vezes era difícil pensar na que eu queria. Eu preferia usar imagens. Abri a caixa e senti meus olhos arregalarem.
Dentro da caixa havia uma pequena almofadinha feita de veludo, como a caixa, e na almofadinha estava um lindo colar de ouro. Era exatamente da lindo. Papai sorriu quando eu disse isso; era legal que eu não tinha que dizer tudo a ele. Ele sorriu ainda mais e tirou o colar da caixa. A corrente era bem fina e de ouro também. Na verdade o… pingente tinha a forma oval e imagens de folhas e vinhas em volta das beiradas, cravadas. Tão lindo. Então eu vi que o pingente tinha dobradiças também.
Papai pegou a caixa das minhas mãos para que eu pudesse abrir o pingente. Era meio complicado porque era bem pequenininho e era difícil encontrar algo no que segurar, mas eu tinha dedinhos pequenos e unhas grandes, então eu consegui.
Reconheci a foto imediatamente. Era de seis semanas atrás, quando titia e titio ainda estavam em casa, e era uma foto de todos nós: titia e titio , titia e titio Em, vovó bella e vovô edward, mamãe Nessie, papai, Jacob e eu. Seth havia tirado a foto porque não havia ninguém sobrando. Eu estava no meio, com mamãe me segurando. Papai Jacob e vovo edward estavam um de cada lado, e todos estavam ao meu redor. Titia Rosalie estava o mais longe de papai Jake possível, mas todos estavam sorrindo para a câmera. Eu estava muito pequena nesse dia, e meu cabelo estava apenas na altura dos ombros, mas ainda parecia comigo.
A foto era realmente muito pequenininha, mas eu podia ver os rostos de todo mundo certinho. Talvez o vovô edward não conseguiria, porque ele era humano, e a mamãe disse que os humanos não podem enxergar tão bem quanto ela e eu, mas todo mundo restante poderia.
“Você pode mudar a foto sempre que você quiser,” mamãe disse. “Eu tenho muitas delas que fiz menores para você.”
Sorri. Do lado da foto, havia alguns escritos estranhos em belas letras cinza-azuladas. Alcancei as bochechas de mamãe sem desviar o olhar para colocar uma imagem em sua mente da inscrição, e uma pergunta. Eu podia ler facilmente, eu gostava de ler, mas não podia ler isso.
“Significa ‘eu te amo mais que minha própria vida’,” mamãe disse. Sua voz ficou um pouco vacilante no final, mas eu ainda estava olhando para o escrito engraçado. Aquilo não se parecia em nada com nenhuma palavra que eu conhecia.
“Está em francês,” papai disse, e sua voz estava um pouco vacilante também. “Je t’aime plus que ma propre vie.”
As palavras eram estranhas, e a forma como elas significavam nada e alguma coisa ao mesmo tempo era estranha e maravilhosa. Soava bonito.
“Você quer colocar?” mamãe perguntou.
“Sim, por favor,” eu disse em voz alta.
Papai se aproximou para pegar o camafeu e prendê-lo em volta do meu pescoço. Seus dedos eram muitos quentes, mas eu estava acostumada. Papai Jacob,era quente como eu.
“Assim,” papai disse, e deu um passo para trás para olhar para mim. “Você está linda,” ele anunciou, e eu sorri feliz.
“Assim como o pai dela,” mamãe acrescentou, e eles sorriram um para o outro.
“Certo,” mamãe disse de repente, “É melhor eu te arrumar para irmos à casa do vovô.”
“Na verdade,” papai disse, “é melhor adiar a arrumação para depois que tivermos visto o restante da família.”
Franzi a testa. Por quê?
“Ah,” mamãe disse. Então ela sabia o porquê. Eu teria simplesmente que esperar para ver. “Tudo bem, então vamos.”
Em seguida estávamos correndo pelas árvores. Eu adorava correr com mamãe ou papai Jacob. Eles eram mais rápidos que eu, e eu podia olhar em volta sem me preocupar com onde eu estava correndo. Havia tanto que eu ainda não tinha visto desse enorme e empolgante mundo. É claro que eu sabia o caminho da Casa Grande para a Pequena Cabana e eu já tinha visto tudo ali, mas às vezes se eu tivesse sorte eu veria um esquilo ou um novo tipo de passarinho e eu poderia mostrar para a vovó bella e ela me diria seu nome. Vovó bella adorava olhar os pássaros.
Não vi nenhum pássaro hoje, mas não me importei porque hoje já era especial, e logo estávamos na Casa.
vovo edward estava sentado do lado de fora na varanda esperando por mim. Quando ele me viu, um grande sorriso se espalhou pelo seu rosto, como sempre acontecia.
“Anna!” ele gritou, e pulou da varanda para vir me ver. “Feliz Natal!” ele sorriu, e então se lembrou de mamãe e papai. “E feliz Natal para vocês também.”
“Feliz Natal, pai,” mamãe disse sorrindo. Papai fez aquela coisa engraçada com seus olhos onde eles fizeram todo o caminho num círculo.
Dei uma risada e levantei as mãos para vovô me pegar. Mamãe suspirou, mas mesmo assim me colocou nos braços dele para que eu pudesse lhe contar sobre os presentes.
“Lindo,” ele disse quando viu o camafeu. “E você está usando! Que gracinha!”
Ele me moveu para um braço para que pudesse tirar algo de seu bolso. Era um outro presente, mas este não estava embrulhado em um papel brilhante. Ao contrário, estava em uma bonita bolsa de tecido marrom com cordas formando um nó. Eu rapidamente desamarrei as cordas e abri o embrulho.
“Está vendo, a Anna consegue desamarrar!” Papai Jake disse para mamãe. “Sua própria filha!”
“Muito engraçado, Jake,” mamãe nessie disse, mas eu não estava ouvindo. Virei o saquinho de cabeça para baixo e uma argola de fios entrelaçados caiu, torcidos juntos como quando titia Rosalie trança meus cabelos, unidos para formar um círculo.
Usando sua mão livre, papai Jake pegou a argola e colocou no meu pulso. Estava um pouco grande, então escorregou facilmente.
“Como você cresce tão rápido, pensei que seria melhor fazê-lo grande,” ele disse.
Levantei meu pulso mais para perto dos meus olhos para ver melhor. Eu não conseguia dizer quantos fios diferentes tinha, mas havia muitos, todos com cores que eram um pouco diferentes. Havia vermelhos e marrons, e eu podia ver a cor do meu cabelo, e a cor do pelo de papai Jake, e a cor da pele de papai Jake que era a mesma da minha, e a cor dos troncos das árvores, e a cor de sangue, e a cor dos olhos da mamãe, e a cor dos meus olhos… eu não conseguia dizer o nome de todas. Pressionei minha mão na bochecha quente de papai vovo para dizer a ele o quanto eu tinha adorado.
“Ah, pare, Ann, você está me deixando com vergonha,”  vovo edward disse naquela voz engraçada que torna mentir uma coisa okl de se fazer.
Papai não pareceu tão feliz assim. “Contanto que isso não tenha o mesmo significado de um anel, papai Jacob,” ele disse em uma voz quase de rosnado.
“É claro que não!”  papai Jake disse. “Ugh, já passamos por isso, isso seria doentio!”
Mamãe suspirou novamente. “Lembrete: alguns de nós não têm a menor ideia do que está acontecendo…”
Toquei a bochecha de papai novamente, dessa vez com uma pergunta.
“Hum, bem, geralmente os caras dariam anéis como esse para as garotas quando eles as pedem… uh… em casamento. Caras Quileute, quero dizer,” ele disse, olhando para mamãe Nessie. “De qualquer forma, é por isso que eu fiz um bracelete, e não um anel. Achei que você ia surtar,” ele disse para o papai.
“Mas o propósito dos anéis não seria que eles demorassem um tempo muito longo para serem feitos que nenhum homem faria um a menos que verdadeiramente se importasse com a sua amada?” papai disse, ainda mais próximo de um rosnado agora.
“Tá, então o bracelete demorou mais, mas ter algo o que fazer com as minhas mãos me mantém são. Você sabe quanto tempo eu gastei naquele pingente de lobo que eu fiz para Nessie?”
“Jake,” mamãe disse calma. “Não estrague isso. Você sabe que edward não quis ofender.” Ela soou um pouco estranha, um pouco triste. “É linda, jake,” ela disse.
“Nessie?” papai disse, e sua voz não parecia com nada como um rosnado agora. “Você está bem?”
Me virei e olhei para mamãe, e ela sorriu. Eu podia dizer que aquele não era um sorriso certo, um sorriso feliz, mas que sim ela estava fingindo. “É claro que estou bem. Vamos entrar? Tenho certeza que estão todos nos esperando.”
Papai ainda parecia preocupado, mas não discutiu. Talvez ele quisesse conversar com mamãe a sós mais tarde. Eles frequentemente tinham momentos em que parecia que eles iam dizer alguma coisa, mas então eles olhavam para mim e balançavam suas cabeças. Era um pouco irritante, na verdade. Papai sabia que eu sabia, mas ele jamais mencionou isso.
papai Jake parecia como se não tivesse notado nada, mas ele podia estar fingindo. “Claro, claro,” ele disse e todos entramos na casa.